Gerson Martino é uma das pessoas mais faladas na noite de São Paulo. De looks bafônicos, já faz um tempo que o conheci e virei fã.Gerson não passa despercebido e depois que surgiu na moda se tornou presença chave nas semanas de moda, eventos e baladas. Sempre com looks absurdos, sua chegada é um acontecimento. E todo mundo se pergunta se ele é de verdade mesmo.
Gerson é uma das pessoas que quando eu olho, penso que a moda vale a pena, que estilo próprio ainda existe. Todo mundo, na verdade, sempre quer saber quem é Gerson Martino.
O que eu acho mais incrível em suas produções são seus acessórios de cabeça, casquetes que ele mesmo produz. O acessório que foi must no casamento real de Kate e William tem múltiplas cores e versões na mão de Gerson.
Conversei com Gerson essa semana e ele foi super atencioso em responder todas as minhas perguntas. Inclusive, me contou de sua nova parceria com a marca de roupas Mulher Elástica.
Você é conhecido por seu estilo irreverente e por suas roupas excêntricas. Como começou a sua relação com a moda?
Logo cedo, lembro de fazer roupas bandagens para as bonecas Barbies de minha irmã maior, porém só aos 18 que entedi a moda como um caminho gratificante e divertido. Logo percebi que ali estava uma ferramenta de comunicação e que poderia através dela ser o que quisesse.
Sempre guardo certo classicismo em meus looks, o que me favorece. Começo com alguma peça que fale algo para mim naquele momento (casquete com determinada cor, uma nova jaqueta que eu tenha bordado), a partir dai, estou pronto para a produção, sobreposição, confecção do restante do look. Elejo a regata branca como chave de qualquer produção masculina. Gosto de marcas que falam/questionam este homem objeto que tanto represento, como Gaultier, Galliano, João Pimenta, Der Metropol.
Me conta sobre o seu trabalho com Casquetes.
Começou com a necessidade de ícones de elegância para fechar o look e com a efervescência na noite. Entre coquetéis, exposições e a vida cultural na metade final da década de 2000, encontrei um ambiente receptivo para exercitar este paradigma que era a de um homem usando casquetes. Foi assim que comecei a fazer as primeiras peças.
Como é o processo criativo para criar essas peças?
Achei nas casquetes um elo entre conceito e moda, uma possível imagem para minha arte. Gosto de dizer que são dadaístas, pois ali é onde combino elementos diferentes, desconfiguro objetos, repenso suas funções, proponho colagens inusitadas, ironizo e crio um elo entre o cotidiano e o sofisticado. Bordo crucifixos com parafusos, gravetos embrulhados com notas de dólares. A mensagem final cabe ao expectador!
Você fez as cabeças da campanha da Mulher Elástica. Qual foi a inspiração e como foi a parceria?
Foi prazeroso o trabalho para a marca de roupas esportivas femininas, que possui muito estilo. Fui procurado pelo stylist Jhonny Bráz e soube que era um universo Burlesco, de palco. Devido ao curto prazo, resolvi arriscar em um mix com um caminho contrário, com uma pitada de claunesco e assim criar um momento irreverente em cada cabeça. Sei que essa vontade agora é conhecida de "Camp" e tem Anna Dello Russo como diva maior!
Eu sempre digo que as mulheres deveriam usar mais acessórios na cabeça. O que você pensa sobre a falta de ousadia das mulheres atualmente?
Contraditória, pois tanto se conquistou, porém, parece que as mulheres não usam signos como chapéus e afins por temor de serem levadas muito a sério, de parecer ser uma mulher "brava" (uma alusão a idéia de que os homens não seguram mulheres fortes). Uma questão de segurança! E mesmo com a ascensão financeira que naturalmente fará com que chapéus, bijoux e outras; caiam cada vez mais no gosto do público, levará certo tempo para assimilar a sofisticação de usar uma cabeça. O único ambiente que a maioria das mulheres se sentem a vontade é a de objeto sexual construindo a imagem da tal mulher objeto. Sabe como? Brincão, perigão. Um feminismo as avessas, uma armadilha!
O que é moda e noite para você?
Pluralidade comportamental!
Para terminar, conta para gente qual é o seu ícone, alguém que você admire.
Para mim não tem fundamento escolher algum nome já morto como muitos de nossa geração fariam. E por mais que flerte com influências de um ou outro grande homem ou mulher contemporâneos, no dever do estudo completo do meu autoconhecimento tenho de escolher o meu próprio nome como o meu maior ícone, esgotando-me nesta admirável busca solitária de meus preceitos, não como um individualista e sim como um visionário!
Os acessórios podem ser encontrados na loja WR, em Pinheiros, ou podem ser encomendados diretamente com Gerson Martino.


2 comentários:
Adoorei o estilo, toda a criatividade das casquetes! achei um máximo mesmo.. super charme!
ai que legal isa, amei.. adoro o gerson e o estilo proprio dele! ficou mt boa a entrevista, bj amo vc!
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