Em uma conversa com meus amigos das modas, um assunto que a muito tempo não comentávamos ganhou atenção: estilo próprio e mudanças. Fiquei pensando muito nisso depois daquele dia e resolvi dar minha opinião sobre.
Quando eu tinha 13 anos era patricinha. Aos 14, comecei a gostar de moda e fui mudando meu estilo, me aproximei dos meus amigos estilistas e estávamos todos em uma fase de inovações. O Dieferson Gomes fez seu TCC da faculdade e com ele, me apaixonei por Frida Kahlo. Fui pela primeira vez ao São Paulo Fashion Week, conheci o Glória e a montação da noite paulistana.
Dos tempos de montação, na antiga Fui! do bar secreto
Extravasei. Aproveitei o período e meu estilo se tornou um mix de tudo, em exagero, do que eu acabava de conhecer. Muita cor, modelagem, estampa, textura de uma vez só. Li uma crônica de Guimarães Rosa e saí com uma fita verde gigante e um laço no cabelo. Fizemos o Cerquilho Moda, e eu peguei para mim a combinação pink + laranja.
Depois, conheci o indie rock e o baixo Augusta. Pintei o cabelo, só usava jaqueta de couro, saia rasgada, maquiagem escura e coturno. Fiz minha primeira tatuagem. Só ouvia rock, me fascinei pelo movimento punk, grunge, Vivienne Westwood, Malcolm McLaren e queria ter estado em Seattle nos anos 90.
Ganhei uma luva de couro de um amigo gótico e morri de usar quando conheci o underground
Eu já estava super envolvida com moda e achei que ia ter sempre um estilo rocker. Aí chegou 2011, fui morar fora, conheci gente nova, aprendi muita coisa e estudei muito no cursinho.Viajei e fui seduzida pela cultura brasileira, com suas belezas e raízes. Mudei meu estilo de novo.
Aí está, se mudei muitas vezes, quer dizer que não tenho um estilo próprio? Acredito que não. O estilo muda, porque nós passamos por muitas mudanças na vida. Temos que adequar nosso vestuário às novas fases, representando o momento que estamos vivendo. Moda é isso, é expressão. É estilo se conseguirmos expressar o que estamos passando naquele momento através das nossas roupas. Os elementos que insistem apesar de todas as mudanças são os pontuadores do nosso estilo.
Interessante pensar que depois que comecei a gostar e trabalhar com moda, acabei assumindo uma postura involuntária, não uso nada que não seja o que eu realmente gosto. Coloco a roupa que estou com vontade no dia, mas tudo sempre bem encaixado. Ás vezes você vê uma pessoa com uma bela roupa, mas percebe que ela não "segura" o look. Acontece quando tentamos mostrar algo que não somos ou vestir uma roupa que não é nossa.
Quando deixei a jaqueta de couro e a atitude rebelde para trás, pensei se não estaria me traindo. Percebi que tudo são fases, e que aquela tinha passado. Foi sem querer, sem pensar. Quando vi, estava comprando menos camisa xadrez e mais vestido longo. Hoje, sou um mix de tudo que eu já usei. Ainda uso coturno, ouço rock e vou à Augusta, mas misturo com bata colorida ou saia estampada. A montação fica só para noites de festa. A soma de todas essas referências que permaneceram intensamente na minha vida por um tempo equivale ao jeito que me visto hoje. Um pouco de tudo, em doses suaves.

A Erika Palomino me disse no último Fashion Rio que temos que saber deixar passar e aceitar as mudanças, em uma reflexão sobre os bons tempos (da época do site EP). 2012 veio e com ele mais uma avalanche de mudanças para mim. A história é a seguinte: respeitar nosso gosto, nosso corpo e construir um estilo sem forçar. Usar o guarda-roupa para mostrar o que realmente somos, livres de clichês e cópias. Se eu mudar de novo, tudo bem. Afinal, prefiro ser uma metamorfose ambulante...